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Não interessa o que fazes, mas como fazes

“Não interessa o que fazes, mas como fazes”.

Não sou o autor desta frase, mas identifico-me muito com ela.

Por outras palavras, não interessa o fim propriamente dito, mas sim o caminho percorrido até chegar lá.

No meu caso, todo o carinho, todo o amor, toda a experiência que tenho são colocados em prática quando faço uma peça em madeira.

Desde o momento da compra da madeira no seu estado bruto, até à fase final do acabamento, em que é necessário respeitar o meio-ambiente e a saúde das nossas crianças.

 

Artigo relacionado: Porque sou um amador

 

Seja para o meu filho, seja para a casa, seja para outra pessoa (que posso ou não conhecer pessoalmente), não existe distinção.

A qualidade final do trabalho é a mesma.

Não estou só focado no resultado final, como em todo o processo de execução.

Existe qualquer coisa de mágico no processo de ir à serração comprar a madeira no seu estado bruto, e contemplar a sua transformação, à medida que vou trabalhando nela.

Grandes riquezas emergem à medida que se vai aplainando a madeira… a sua textura começa a ganhar vida, qual D. Sebastião que reaparece no meio do nevoeiro… cheiros harmoniosos pairam no ar…

Visualizo a peça final, já terminada, e as minhas mãos encarregam-se de transformar a minha visão em realidade.

Se já existe na minha mente, é porque é real e exequível.

O trabalhar com ferramentas manuais é um factor predominante na minha forma de trabalhar, é onde me sinto mais à vontade.

 

Artigo relacionado: Como trabalho a madeira

 

E, para mim, não é só o produto final tem que corresponder ao rigor e empenho colocados. O tipo de acabamento utilizado tem que respeitar o meio-ambiente e as normas de segurança em vigor.

Não basta apenas garantir que as superfícies fiquem bem lisas e suaves ao toque, com as arestas arredondadas, para não ferir as mãos.

Sabes, seria muito fácil não me importar com esta parte da finalização.

Mas não conseguiria ficar bem comigo próprio, sabendo que existem dois caminhos a seguir, e que teria optado pela via menos ética.

A via mais fácil e mais rápida nem sempre é a melhor.

Na minha área de actividade, confesso que, por exemplo, seria muito fácil utilizar um óleo, verniz ou tinta que não respeitasse o meio-ambiente e a Norma Europeia de Segurança de Brinquedos EN 71-3.

E argumentar o contrário.

 

Não interessa o que fazes

 

 

É que não é muito fácil explicar os cuidados necessários na escolha de um acabamento certificado.

 

Artigo relacionado: Segurança nos Brinquedos – EN 71 e COVs

 

A EN 71, é a norma que define os requisitos de segurança para todos os brinquedos vendidos na União Europeia.

É dividida em 13 partes, sendo que a parte 3 é a que define a especificação para a migração de certos elementos.

O que quer isto dizer?

Existem elementos que estão presentes em muitos produtos e que são tóxicos, se os valores excederem os permitidos por lei.

Elementos tais como níquel, crómio, cádmio, arsénico, cobre, chumbo, alumínio, mercúrio, etc, são apenas alguns que se podem encontrar em brinquedos, por exemplo.

A EN 71-3 regulamenta e controla qual a quantidade máxima que pode existir em cada elemento, e que possa apresentar risco de toxicidade para as crianças.

Não basta apenas que tenha o rótulo de “ecológico” ou “amigo do ambiente”.

É algo que parece banal, à primeira vista, mas que convém analisar pormenorizadamente para que as suas vantagens fiquem bem claras.

 

O cuidado com os acabamentos utilizados é muito importante, porque estamos a zelar:

  • Pela saúde em geral, e principalmente pela saúde dos bebés e crianças;
  • Pelo respeito com o meio-ambiente;
  • Pela conservação da madeira.

 

A madeira pode resistir durante muito tempo, sem ser necessário nenhum tipo de acabamento.

Mas dura muito mais se for protegida.

E, no caso dos mordedores de madeira para bebés, por exemplo, é importante também por causa da saliva dos bebés, que por vezes pode ser um pouco ácida.

A madeira, em termos genéricos, tem o que se chama “pêlo”, que não são mais do que as fibras da madeira. Diz-se que a madeira tem o pêlo levantado quando existe o eriçar das pequenas fibras da madeira que se encontram à superfície.

Isto acontece especialmente no contacto com água ou com outro tipo de líquidos.

Líquidos mais difíceis de limpar que a água (mais gordurosos, por exemplo), podem inclusive danificar a madeira não tratada com o passar do tempo, podendo deixar manchas.

A limpeza de uma madeira tratada torna-se muito mais fácil de fazer com um pano macio, ao invés da madeira sem nenhum tratamento, em que agarra muito mais pó e sujidade.

Indo um pouco mais além, diria mesmo que as instituições mais antigas, bem como as mais recentes (e até as que vão começar), deveriam fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para terem mobiliário e materiais de madeira que respeitassem os pontos acima referidos.

Até o cuidado com a pintura das paredes deveria ser respeitado ao máximo.

Especialmente nos berçários, já que os bebés têm o sistema imunitário menos desenvolvido e são mais frágeis e susceptíveis a problemas respiratórios, entre outros.

 

Artigo relacionado: O perigo escondido das tintas

 

Como poderia eu ficar indiferente, sabendo que nem todos têm conhecimento desta informação?

E é com uma enorme alegria e satisfação, que vejo uma crescente preocupação e empenho de outros fornecedores (e revendedores) de mobiliário e materiais pedagógicos, em garantir uma melhor qualidade do produto final.

Porquê?

Porque, por motivos óbvios, todos temos a beneficiar com esta tomada de consciência. Mas é a nova geração, a geração dos nossos bebés, que mais vai beneficiar.

 

Obrigado pela tua presença.

 

 

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O caminho faz-se… caminhando

Por vezes é necessário parar um pouco para repensarmos quais os nossos objectivos, e validarmos se estamos no caminho certo. É muito fácil desviarmo-nos do percurso traçado. Mais fácil é quando não vemos os resultados imediatos. Na sociedade em que vivemos, de consumismo rápido e descartável, em que temos o mundo na ponta dos dedos, queremos tudo para ontem e já não sabemos o que é esperar. O dinheiro de plástico é imperador soberano, as novas tecnologias estão disponíveis para quem quiser, e já não sabemos o que é estar desligado. Mas por vezes somos obrigados a parar e olhar para o caminho que estamos a fazer. São paragens “obrigatórias”, como se de um carro de corrida se tratasse em que tem parar para mudar os pneus. São paragens que nos permitem perceber qual o próximo passo. Normalmente é necessário desbloquear algo para que possamos avançar. O caminho faz-se… caminhando.

Depois de um longo tempo parado sem escrever, estou finalmente a conseguir voltar, e assim espero continuar.

Ainda não sei qual será a frequência com que irei escrever, mas espero manter o ritmo.

O que importa é começar. É sempre o passo mais importante, e por vezes, o mais complicado.

 

Artigo relacionado: Um Novo Início

 

Tudo tem um motivo de acontecer, e surgiu a necessidade de dedicar a minha total atenção ao meu novo bebé tecnológico.

A semana passada foi o início de um marco importante. Finalmente consegui reunir todos os esforços para que conseguisse abrir as portas da minha casa tecnológica ao público: o site do Papai Tó.

É algo que já foi pensado (e começou a ser implementado) há cerca de um ano atrás.

Um ano!

Como o tempo passa!

As ideias surgem e queremos concretizá-las logo no imediato, mas surgem sempre alterações aos nossos planos que nos fazem mudar o rumo dos acontecimentos. Mas o importante é não perdermos o nosso foco e sabermos quais são os nossos objectivos.

Muitos conhecimentos foram adquiridos, e ainda falta muito mais para fazer. Poderia atrasar um pouco mais o seu lançamento, mas se fosse esperar até estar mesmo completo… então seria um adiamento infinito.

Não existe a perfeição, e busca pela perfeição pode tornar-se uma obsessão, de tal forma que pode influenciar a nossa forma de viver.

O essencial está feito e foi lançado com as mínimas condições possíveis.

Agora é ir adicionando o que falta, até ficar mais funcional e apresentável.

Se existem falhas? Claro que sim! Mas que serão corrigidas, e conto com o teu apoio, se detectares alguma. Há sempre algum pormenor a alterar, mas que não nos pode impedir de avançar.

Por exemplo, com certeza que já tentaste aceder à loja e reparaste que ainda não está operacional. Gostaria muito que já estivesse concluída, mas faltam muitos pormenores por definir, e ainda não posso abri-la. Será oficialmente aberta quando as condições estiverem reunidas, e espero não demorar muito tempo até o fazer.

Prevejo que muitas coisas boas aí virão, mas terão que ser assentes numa base sólida, consistente. Só assim perduram e só assim criam raízes para as gerações futuras.

O caminho faz-se… caminhando.

Claro que com isto tudo, existem outros projectos que ficam parados, outros tantos que abrandam o passo e entram no ritmo do caracol. Mas com certeza que já conheces a história da lebre e da tartaruga… apesar da tartaruga ter um passo mais lento, não significa que desista do objectivo, ou que se distraia facilmente. Foco, determinação, persistência e ritmo consistente são as palavras de ordem.

Quem “sofre” mais com estes abrandamentos é o meu filho L, o meu cliente mais fiel.

“Pede-me” constantemente que lhe proporcione melhores condições para que ele possa usufruir o melhor possível dos períodos sensíveis pelos quais está a atravessar.

Ou seja, demonstra-me, por gestos e palavras.

Gosto muito de o observar e perceber quais as suas necessidades, e acho que até já o faço de uma forma inconsciente. Por vezes, basta um pequeno gesto dele para perceber o que lhe faz falta naquele momento, o que o pode ajudar para facilitar a sua vida.

 

Artigo relacionado: A importância de ser um pai Presente

 

No fundo, a aquisição e a consolidação de novas competências que o seu crescimento assim lho exige.

Ele tem uma paciência do tamanho do mundo, e quando menos espera ”aparece” algo feito por mim que ele tanto precisava.

Espero poder retomar brevemente ao ofício que tanto gosto.

caminho

O Papai Tó veio para ficar e vai deixar a sua marca, ao demonstrar que os portugueses também sabem fazer materiais pedagógicos (e não só) com qualidade.

Com matéria-prima proveniente de florestação sustentável e com acabamentos certificados que não prejudicam o meio-ambiente, e que por isso são seguros para os nossos bebés e crianças mexerem sem perigo para a sua saúde.

Espero sinceramente corresponder às expectativas, porque eles merecem o melhor, e, se possível, que seja português.

É com muita satisfação e alegria que vejo o movimento Montessori a começar a espalhar-se e a consolidar-se cada vez mais pelo nosso país, e este é o meu pequeno contributo para que os nossos pequenos mestres tenham a aprendizagem que merecem.

 

Quais as tuas expectativas em relação à integração de Montessori em Portugal?

O que estás a fazer para ajudar que este movimento floresça?

Deixa a tua opinião.

 

Obrigado pela tua presença.

 

 

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A cola pode ser nociva para a saúde teu filho?

“Vais para a escola? Leva a cola!”

Quem não se lembra de um anúncio que passou na televisão, há uns bons 30 anos?

Pois é, a cola fez sempre parte do material escolar, e também dos instrumentos de trabalho de quem necessite de a utilizar com muita frequência.

Pode parecer um tópico banal, mas revela-se importante aprofundar um pouco este assunto, e vou explicar o porquê.

Desde os primórdios da civilização que a cola é utilizada.

Inicialmente, começou por ser utilizada a cola de animal, antes de existirem as colas sintéticas de hoje em dia.

Historicamente, a cola de animal era feita através do colagénio existente nos ossos dos animais mortos. O colagénio é conhecido por ser peganhento quando está húmido e ficar duro quando solidifica.

Sabias que a palavra “colagénio” deriva da palavra grega “kolla”…?

Embora inicialmente não muito conhecida, o seu uso começou a proliferar quando a construção de móveis surgiu como um ofício.

Claro que hoje em dia muito raramente utiliza-se a cola animal, dando o seu lugar às colas sintéticas.

Existem colas específicas para colar qualquer tipo de material: madeira, metal, tecido, vidro, porcelana, etc.

E nas mais variadas formas: liquída, em stick roll-on, gel, spray, etc.

Contudo, a maior parte delas não são certificadas (podendo ter algum tipo de toxicidade), e nem sequer referem qual o valor dos VOCs.

 

Artigo relacionado: Segurança nos Brinquedos – EN 71 e COVs

 

Normalmente não acarretam nenhum perigo para a saúde, e pode ser facilmente limpa com os dedos apenas com um pouco de água.

As colas brancas para madeira à base de água (também conhecidas pela sigla PVA) são as mais utilizadas na bricolage em geral as que apresentam a melhor relação preço-quantidade.

As colas PVA (Acetato de PoliVinilo) são de cor branca (embora também existam na cor amarela), sem cheiro e podem ser diluídas em água, tornando-as menos espessas.

Podem também ser tocadas directamente pelos dedos, sem nenhum prejuízo para a pele.

Tal facto pode dar a entender que este tipo de cola não é tóxica.

E de facto, não é, a não ser que seja ingerida.

Todos sabemos que as crianças gostam de experimentar tudo, e há sempre aquela situação em que provam um pouco de cola branca.

Esta cola pode tornar-se tóxica a partir do momento em que for ingerida, porque realmente não foi feita para isso.

Claro que se for em quantidades muito pequenas, o mal será muito menor do que se for em grandes quantidades, e de certo que o nosso organismo encarregar-se-á de dar o devido tratamento.

Existem fabricantes estrangeiros de cola branca que têm colas naturais e que são próprias para o contacto directo com os alimentos.

Mas o que isso significa é que se a cola tiver contacto com os alimentos, estes continuam a ser comestíveis.

Não quer dizer que a cola é comestível…

Existem colas muito potentes no mercado, e que actuam em segundos, e que exigem muito cuidado na sua utilização

Podem, inclusive, colar a pele.

Apesar de ser vantajoso utilizá-las, têm compostos químicos na sua composição, o que não as torna muito amigas do ambiente.

Se for necessário dar um uso muito intenso, torna-se ainda mais obrigatório utilizar colas que sejam o menos nocivas possível.

E claro, com o manusear das peças de madeira pelas mãos dos bebés e das crianças, todo o cuidado é pouco…

Nem todos os fabricantes têm este nível de consciência.

 

Artigo relacionado: A melhor madeira para os bebés

 

Existe algum perigo das colas que não são certificadas serem utilizadas para colar peças manuseadas por bebés ou crianças?

É possível que não, desde que haja o cuidado de não utilizar em excesso, e de limpar muito bem o remanescente.

Claro que podem existir situações em que é de todo impossível não usar uma cola não tóxica, mas desde que haja o máximo de cuidado possível, como referido.

Muitas fabricantes podem dizer que a cola que utilizaram é livre de tóxicos e sem solventes, mas poderá não ser bem assim. Como é um componente utilizado na própria montagem do produto, fica escondida.

E depois de secas, algumas mesmo ficam transparentes,

Não existe forma de saber realmente qual o tipo de cola utilizada…

Como poderemos saber a verdade?

Segue o teu instinto e confia.

Procura um fabricante de brinquedos e materiais pedagógicos da tua confiança, que demonstre integridade e responsabilidade no seu trabalho.

E que tenha conhecimentos suficientes para usar uma cola certificada que seja atóxica, não tenha solventes e que tenha um valor muito reduzido de VOCs.

O meio-ambiente agradece, e o teu filho também.

Que achas deste assunto?

Dás alguma importância às colas utilizadas?

 

Obrigado pela tua presença.

 

 

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Balanço do Ano

E porque é importante fazer um balanço acerca do ano que está a terminar, desta vez, decidi gravar uma pequena mensagem para ti.

 

 

Transcrição do vídeo:

“Olá,

O meu nome é António Santos, e sou o Papai Tó.

Gostaria de partilhar contigo um pouco do balanço que foi este ano.

Foi um ano cheio de coisas boas, que ajudaram o Papai Tó a crescer muito. É um caminho que está a ser feito com passos seguros e sólidos.

Não é fácil ser homem, pai, companheiro, artesão, empreendedor, e manter a nossa visão e o nosso foco intactos.

Mas vale bem a pena quando nos sentimos bem a fazer o que gostamos, e sabemos que é para um bem maior, para servir o outro o melhor possível.

Quero agradecer por este ano que passou, e por ter contribuído para uma maior consciência em relação à construção dos brinquedos e materiais pedagógicos, no que diz respeito à madeira e aos acabamentos utilizados.

Só por este factor, considero que um dos meus objectivos foi cumprido, através das informações que tenho passado nos meus artigos.

A oferta e a variedade é cada vez maior, e isso é salutar quando existe também qualidade, porque quem vai ganhar com isso é o consumidor. Que neste caso, serão os bebés e as crianças.

Não te esqueças também que ao comprares no comércio local, estás a contribuir para ajudar a alimentar uma família.

Enquanto que ao comprares numa grande superfície, estás apenas a alimentar o sonho de uma única pessoa.

Também em jeito de balanço, resta-me agradecer o apoio e incentivo em relação às mensagens que tenho transmitido, em que tento ajudar ao máximo a escolheres o melhor produto possível adequado às tuas necessidades, de acordo com os requisitos necessários em termos de certificação, da madeira utilizada e respectivos acabamentos.

O próximo ano reserva-me novos desafios, novas oportunidades para crescer e para vos servir ainda melhor. E no meio disto tudo, é muito importante não perder a integridade e sermos fiéis aos nossos princípios. Não tomar atalhos que nos possam levar por caminhos indesejados.

Espero no início do próximo ano ter já algumas das novidades que estou a preparar para vós.

Não te esqueças, certifica-te sempre que o que compras vem do comércio justo e que a sua construção e o tipo de acabamento (madeiras, tintas, vernizes, óleos, etc.) são certificados e próprios para os bebés e crianças mexerem.

É muito, muito importante.

Acede à minha página do facebook e pede para aderir ao grupo do Papai Tó para ficares a saber das novidades em primeira mão.

Desejo-te um bom ano, e que seja melhor do que imaginas.

Até para o ano.

Sê feliz.”

 

Obrigado pela tua presença.

 

 

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Como trabalho a madeira

Esta semana dei início a um novo projecto. Confesso que não consigo estar muito tempo sem mexer na madeira, sem construir algo com as minhas mãos, de forma artesanal. Faz-me sentir útil. A forma como trabalho a madeira é primordial para alcançar os níveis de excelência a que me proponho, e para o meu bem-estar.

Não faz sentido ser de outra forma.

Serei eternamente exigente comigo próprio, o que é diferente de ser perfeccionista.

A busca incessante pela perfeição pode levar-nos a estados de ansiedade e de depressão. É importante perceber quando devemos parar.

Não é bom para a nossa saúde tentar chegar a um estado que não existe.

Não nos podemos enganar.

A viagem tem um propósito maior do que o fim em si, e tem muito mais sabor se podermos se soubermos aproveitá-la.

No final, o que importa é compreender que estamos a crescer com o caminho que escolhemos percorrer, e que para isso temos que estar alertas, conscientes.

O facto de procurarmos a perfeição, faz com que nos esqueçamos da viagem e nos foquemos apenas no resultado final.

E com isso podemos procurar caminhos alternativos, mais rápidos, que podem levar-nos ao nosso objectivo, mas que não nos fazem crescer durante a viagem.

Escolhi esta forma de trabalhar porque dá-me satisfação.

Esqueço tudo o que está à minha volta e concentro-me na tarefa que tenho em mãos. Todos deveriam a oportunidade de fazer realmente o que gostam, pelo menos uma vez, nesta passagem por este planeta.

 

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Ontem foi dia de comprar mais madeira para o meu novo projecto. Será algo para o L brincar e para se exercitar um pouco (esperemos que sem muitas nódoas negras!).

Existem muitos locais onde se pode comprar madeira, desde as grandes superfícies comerciais até às serrações propriamente ditas. E dentro das serrações, existe uma grande variedade.

Confesso que apenas compro madeira nas grandes superfícies comerciais quando preciso de tipos de madeira de baixa qualidade, ou de algo apenas para desenrascar. Depende muito do projecto que tenho em mãos. A variedade também não é muita e a forma como é armazenada deixa um pouco a desejar. A escolha é complicada porque é difícil encontrar madeira que não tenha algum tipo de empenamento.

Para este novo projecto, apesar de ser um protótipo, tinha que ter madeira de boa qualidade, porque a segurança do L é um factor primordial.

A serração oferece-me essa garantia, porque só lá é que consigo encontrar o tipo de madeira que preciso.

Neste caso, era Faia.

E, claro, é sempre bom perceber qual a origem da madeira, e se tem o carimbo FSC

 

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Após a escolha da prancha de madeira que queria levar (chama-se prancha à tábua comprida, neste caso são 2,30 metros, que é serrada do tronco da árvore), foi necessário perceber se caberia no carro…

Houve algumas dúvidas porque o carro é pequeno, mas com alguns ajustes, consegui trazê-la inteira!

madeira madeira

Ao chegar à minha oficina, é tempo de perceber como vou trabalhar a madeira.

Os esboços e as medidas já feitas ajudam muito, e foi só perceber como serrar a madeira para aproveitar ao máximo as partes que não são necessárias para este projecto.

Tento não desperdiçar nada, e os bocados que não são necessários podem vir a dar jeito para futuros projectos. Nunca se sabe.

Assim, serrei a prancha de alto a baixo, e separei o que me interessava do que não queria.

madeira

madeira

Foram 2,30 metros a serrar manualmente, sempre a seguir uma linha previamente traçada!

De seguida, medi uma das peças que me interessava e serrei-a novamente com um corte transversal, desta vez mais curto.

Desta forma, estou a treinar e a aperfeiçoar as minhas habilidades. A minha destreza e sensibilidade aumentam e sinto uma energia revigorante que me fazem continuar e querer mais.

E gosto do exercício físico que se gera com esta actividade.

Como vês, depois de serrada com as dimensões aproximadas, fica com um aspecto tosco.

Estes cortes que se vêm são o resultado dos cortes feitos na serração, pelas serras das máquinas eléctricas.

Não é este o resultado pretendido, e por isso é necessário agora desbastar esta camada superficial.

Utilizo para isso uma plaina de desbasto rápido, que dá um aspecto ondulante.

madeira
Plaina de desbaste rápido
madeira
Comparação entre superfície a aplainada e a superfície tosca

Algumas pessoas até preferem que as peças de madeira fiquem apenas desta forma, porque dá uma sensação única ao toque e fica com um aspecto rústico. Não deixa de ser interessante.

madeira

Confesso que esta é uma fase exigente, a nível físico.

Requer paciência e resistência.

Dependendo da quantidade de desbaste que é necessário fazer, sinto o coração a bater mais depressa, a bombear sangue mais rápido para todo o meu corpo.

A frequência mais acelerada da respiração indica que estou perante uma actividade física mais intensa, que desperta os meus sentidos e permite-me ao mesmo tempo praticar e treinar as minhas habilidades, aperfeiçoando-as.

Mas ainda estou a meio caminho de ter apenas esta face da peça pronta.

O próximo passo é então alisar e suavizar esta face toda, recorrendo a várias plainas e utilizando também umas peças de madeira para ir verificando o empenamento.

madeira
Plaina de acabamento
madeira
Face da madeira terminada de aplainar e completamente lisa

E no fim, repetir o mesmo processo para todas as outras faces…

É um jogo de paciência, mas também de conhecimento da madeira que está a ser trabalhada e da ferramenta que estou a usar.

O bom de usar plainas manuais é que a fase de do acabamento incluí muito pouco tempo a lixar a peça, porque o trabalho foi todo feito com a utilização da plaina.

Ou seja, reduzo muito o pó que circula no ar e que pode entrar nos meus pulmões.

Todas estas ferramentas manuais têm que estar bem afinadas.

Não faz sentido utilizá-las se não as soubermos afiar, e se não estiverem sempre prontas a serem utilizadas no seu potencial máximo.

É um processo contínuo, que nunca termina, e há que saber quando se deve afiar. Para isso é preciso praticar, conhecer a ferramenta.

O ar puro que respiro, sem máscaras… o som da madeira a ser serrada indica-me quando estou prestes a terminar… a sensação de que não existe mais nada que impossibilite a execução do trabalho, a não ser a minha vontade.

A utilização de ferramentas manuais possibilita-me ouvir o ambiente que me rodeia, e ser mais saudável.

Ajuda também a estar num ambiente mais sustentável e a diminuir a pegada ecológica, já que não poluo o meio ambiente com o barulho das máquinas eléctricas. A única energia utilizada é a força humana.

 

madeira

Consigo sentir a madeira.

Com máquinas eléctricas era totalmente impossível sentir todas estas emoções.

As máquinas têm o seu lugar e deverão ser utilizadas com sabedoria, mas não deverão diminuir o prazer nem a nossa técnica de trabalhar com a madeira.

Qualquer pessoa, ao fim de pouco tempo de treino, consegue ficar apto a manobrar uma máquina eléctrica.

A utilização de ferramentas manuais também pode ser feita por qualquer pessoa, mas é necessário praticar sempre que possível.

A curva de aprendizagem poderá ser um pouco maior, mas isto porque faz-nos treinar todo o nosso corpo e treinar habilidades que não estamos habituados a utilizar.

Mas é isso que torna esta arte tão especial. Está ao alcance de todos, e faz-nos treinar muitas características que vamos usar ao longo da nossa vida.

Esta é a forma como eu trabalho a madeira, e é assim que abordo os outros aspectos da minha vida.

 

Obrigado pela tua presença

 

 

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Sustentabilidade

O que é isto da sustentabilidade?

A sustentabilidade é um conjunto de acções que são tomadas de forma a garantir as nossas necessidades actuais, sem comprometer as necessidades das gerações futuras.

Está directamente relacionada com o desenvolvimento económico e material, sem prejudicar o meio ambiente, através da gestão inteligente dos recursos naturais, para que se mantenham no futuro.

Alguns exemplos relacionados com a sustentabilidade:

  • Exploração dos recursos florestais de uma forma controlada, garantindo a replantação sempre que for necessário
  • Produção e consumo de alimentos orgânicos
  • Exploração dos recursos minerais (petróleo, carvão, etc.) de uma forma racionalizada e planeada
  • Utilização de fontes de energias limpas e renováveis (eólica, geotérmica e hidráulica), diminuindo assim o consumo dos combustíveis fósseis
  • Reciclagem de resíduos sólidos

 

Como já reparaste, existem muitas formas de ser sustentável, mas irei focar-me mais na florestação sustentável, e quais os seus impactos.

Na semana passada fui a uma conferência de sustentabilidade, organizada pelo FSC (Forest Stewardship Council).

O FSC é uma organização sem fins lucrativos, de âmbito internacional, dedicada à promoção de uma gestão ambientalmente adequada, socialmente benéfica e economicamente viável das florestas no mundo inteiro.

Através de um sistema de certificação florestal, garante-se que os produtos florestais são provenientes de florestas geridas de forma responsável.

Desta forma, satisfazem-se os direitos ecológicos, económicos, e as necessidades da presente geração, sem comprometer as gerações futuras.

A certificação da gestão florestal responsável torna possível que empresas e consumidores façam escolhas esclarecidas sobre os produtos florestais que compram.

Contribui, assim, para uma mudança positiva através do poder da dinâmica de mercado.

O uso consciente de recursos naturais é essencial para a conservação das florestas.

A certificação da gestão florestal assegura que os produtos são provenientes de florestas, e outras origens, bem geridas (por exemplo, material reciclado).

As florestas são vitais para as nossas vidas, e sabias que cobrem cerca de 30% da área terrestre mundial?

É também o habitat de muitas espécies de animais e plantas, e uma fonte de riqueza, produzindo madeira, resina, cortiça, frutos, óleos essenciais, etc.

Além disso, protegem o solo da erosão, regulam a qualidade da água, criam postos de trabalho e melhoram a qualidade de vida.

Também são utilizadas como espaço de lazer e contacto com natureza.

 

Artigo relacionado: Madeira Mágica

 

Quando adquirires algo feito em madeira, procura saber se foi feito com madeira de florestação sustentável, como garantia de uma melhor gestão florestal e uso responsável dos seus recursos.

Infelizmente, só se consegue fazer a gestão quando é rentável, o que nem sempre é possível.

 

Sustentabilidade
À entrada para a conferência

 

Foi interessante verificar que, à medida que existe mais degradação nalguns troços das florestas, existem espécies de peixes nativos que vão desaparecendo.

Desta forma, vão dando lugar ao aparecimento de outras espécies não nativas (exóticas).

Já pensaste bem no impacto que pode ter?…

As boas práticas florestais contribuem para a boa prática dos ecossistemas aquáticos, que é controlada através da certificação.

Por exemplo, hoje em dia ainda existem muito poucas gráficas que utilizam papel certificado, o que é de lamentar.

Ao escolhermos produtos certificados, estamos a contribuir para ajudarmos a cuidar das nossas florestas.

Quando se ouve falar em desflorestação, a primeira coisa em que podemos pensar é que não vamos consumir mais madeira.

Mas podemos e devemos continuar a comprar produtos florestais, precisamos apenas de garantir a sua origem.

Um factor curioso é que, se pararmos de consumir produtos florestais, as florestas podem acabar.

Parece contraditório, mas, se isso acontecer, essas mesmas áreas serão substituídas por outros usos, ou ficarão ao abandono.

Sabias também que em comparação com outros materiais de construção tradicionais, a madeira requer muito menos energia para ser produzida?

A certificação florestal também ajuda a planear o ordenamento florestal, garantindo a diversificação de várias espécies de árvores, diminuindo o risco de incêndios.

O importante é saber a origem dos produtos florestais que consomes.

A nossa responsabilidade é escolher produtos provenientes de florestas geridas de forma responsável.

Contribuímos assim para a salvaguarda da biodiversidade e dos direitos das comunidades que vivem na floresta.

Cada um de nós é responsável por cuidar da nossa floresta.

Vamos cuidar do nosso planeta?

Tens a consciência de comprar produtos com certificação?

 

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Obrigado pela tua presença.

 

 

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